terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Quando só contar não basta

Uma das minhas grandes especialidades é adiar. Seja qual for a tarefa (muitas vezes até de meu próprio interesse), lá estou eu atrasando o momento de enfrentá-la, seja por preguiça ou falta de interesse mesmo. O fato de ser encarregado para realizar atividades chatas e de alto grau de responsabilidade aguçam mais meu desejo de não fazê-las ou, pelo menos, de adiar alguns anos. Muitas vezes isso agrava, as atividades começam a me perseguir. Onde quer que eu vá, com quem quer que eu esteja, as atividades estão presentes, ali, me observando de longe, o que a meu ver é uma completa falta de ética. Tudo bem que eu errei e não solucionei, mas problemas, problemas, lazer à parte. Passei o recesso de fim de ano inteiro sendo observado por elas. Até mesmo nos votos de ano novo, elas mandavam as pessoas me lembrarem de que elas estavam por perto: Feliz ano novo, Matheus. Que esse ano você tenha muita sabedoria e coragem para realizar suas tarefas. Mas que falta de respeito! E o pior é que isso não me encoraja a resolvê-las, pelo contrário, assim estaria aceitando a derrota da guerra que travei durante toda minha vida. O que me passa é sempre tentar bolar uma fuga e rir dela quando estiver bem distante, tranquilo.

Ontem dei de cara uma delas (que acredito serem treinadas pela ex-KGB russa). Meu primeiro impulso foi desistir, afinal, fui pego de surpresa, estava desarmado e sem argumentos. Pensei um pouco enquanto ela me intimidava e decidi entrar no seu jogo. Contei até dez mentalmente, de nada adiantou. Meus lábios tremeram ao dizer que iria resolvê-la. Ela sorriu, com um quê de vitória. Mero engano. Eu disse a mim mesmo que era um especialista, auto-afirmação nessas horas ajuda. Apresentei dúvidas sobre sua solução, mostrando interesse e cooperação. Ela, com seu ar de superioridade, foi fria e arrogante, mostrando quem estava no domínio da situação. Enquanto eu ia resolvendo o tal problema, era observado milimetricamente por sua comparsa, a responsabilidade. Solucionar problemas exige responsabilidade. Não demorou muito até que a preguiçosa responsabilidade pegasse no sono e eu enfim pudesse tomar o controle da situação. Mais uma batalha vencida. Sou mesmo bom nisso. Who’s the bitch now?!

A idéia do título desse texto se deve ao fato de que contar até dez não funciona mais comigo, em determinados casos. A gente chega numa fase em que a paciência está tão desgastada que nos sentimos ridículos em ter que tentar esfriar perante absurdos que devemos nos submeter a fazer, ouvir, aceitar. Há muito tempo venho cansado de engolir os sapos que insistem em me oferecer e comecei, ainda que timidamente, a recusar os desaforos que me aparecem. Não fosse por esse lado, o ato de contar seus problemas aos outros não os solucionam (a não ser que resolvam pra você por interesses). Antigamente, ouvia um punhado de idéias em troca de um pouco de diálogos sobre meus problemas. Talvez isso também desgaste, ou se encheram dos seus incômodos mesmo. Por mim, tudo bem. Cada um fica com seus problemas, só não quero que você finja que seus problemas são meus problemas, porque eu disse que sou perseguido por eles, e sei reconhecê-los há quilômetros de distância, não importa o tipo, não importa o disfarce.

Para cada problema existe uma solução (e uma fuga).

2 comentários:

  1. ei mlk, não me venha com seus problemas ok..
    www.cadaumcomseusproblemas.com.br fikdik

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  2. "Uma das minhas grandes especialidades é adiar. "

    uma das minhas tb (H)

    :***

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