Economizem seus votos de felicidades e seus dedos que seriam gastos no teclado de um telefone. Economizem o dinheiro do presente ou os trocados separados para o barzinho. Esse ano eu não vou fazer aniversário, no sentido de cumpleaños mesmo. A meu ver, pelo menos, aniversário deveria ser algo completamente opcional. Indiretamente ou não, vem aquela história de renovar seus objetivos, seu caráter, e todos os blábláblás que podem ser mudados todos os dias, mas que quase na totalidade esperamos uma determinada data para fazer, como virada de ano, dia do cacto mandacaru ou o próprio aniversário. E é escolha minha não fazer aniversário esse ano. Não quero renovar nada, nem pensar em novas metas daqui pra frente. Sério. É até bom que eu economize um ano. Antigamente, havia uma contagem regressiva da minha parte para receber os parabéns, os presentes, os convidados (e com isso mais presentes). E era somente isso que importava: os presentes. Eu não tava nem aí em ter todos os meus familiares reunidos por minha causa (até porque a maioria ali estava bem interessada na comida), ou se todos os meus amigos de escola haviam combinado de aparecer na minha festa. Tampouco me importava se todo mundo sabia de cabeça que dia 26 de julho era a data em que os ovos deveriam ser desenterrados e quebrados na minha cabeça. Eu só queria saber das novidades que seriam minhas dali pra frente, naquela época, os presentes. Hoje em dia sinto muita falta dos meus pais me acordando, cantando parabéns em sussurros, porque lembravam que eu não gosto de músicas e falatórios ao acordar. E dos abraços sinceros que recebia durante todo o dia, e da ansiedade em atender ao telefone, da catalogação dos parabéns que eu havia ganhado. Faz muita falta também todos aqueles jantares inventados, os quais nem me enganavam mais, para me levar a minha festa surpresa. E os sorrisos que me arrancavam ao acenderem as luzes, vendo que algumas pessoas haviam se programado para estarem ali. Os presentes, na verdade, eram os convidados, e não os brinquedos, mas é que depois de muitos aniversários que a gente acaba percebendo isso. Hoje me contento com os ainda sinceros abraços dos meus pais, e dos scraps no Orkut. Ano passado eu ocultei essa informação no meu profile e vi que poucas pessoas lembraram. Na época até reclamei da consideração alheia, mas percebi que quase ninguém se preocupa em decorar esse tipo de coisa (eu sou um desses) hoje em dia, então se contente com quem te liga ou deixa um recado legal, onde se nota sinceridade. Outra novidade desses novos tempos é o desafio de se cantar o parabéns até o final da música, uma vez que aquela melodia manjada já deu no saco. Parabenizar hoje em dia é questão mera e exclusivamente de educação, como dar um bom dia ou pedir licença. “Parabéns aí, velho” não me soa como elogio pelo que sou, nem que essa tal pessoa espera que eu tenha bastante felicidade no decorrer dos outros dias. Não que eu não me importe com as felicitações que eu vou receber, claro que não. É que esse 26 não tem cara de aniversário mesmo. Vai ver o ano passado andou muito rápido. Fique à vontade em soprar as velas e fazer os desejos por mim.
- Dia 26 é mesmo seu aniversário?
- Não, obrigado.
- Dia 26 é mesmo seu aniversário?
- Não, obrigado.
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