sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ansiedade de cada dia

Que beleza. Depois de pressionados durante dois semestres com a história da monografia, depois de impostas, desimpostas e impostas novamente regras e regras, regras às regras, novas regras que regiam as regras já em vigor, depois dos disse-que-disse da coordenação, banca de professores que vão determinar o futuro do meu diploma, da diretoria da faculdade, dos professores, dos alunos, etc, a faculdade adia nossa apresentação da monografia em quatro dias. Pra maioria: Beleza, agora eu tenho mais tempo pra ensaiar a apresentação. Pra mim: Beleza, agora eu tenho mais tempo pra ficar ansioso. Eu não sei quanto aos outros, mas pra quem anda pesquisando e escrevendo desde setembro, quatro dias não são suficientes para um novo estágio de preparação e concentração. Se eu pudesse apresentar o trabalho agora, era só questão de trocar o pijama pelo terno e fazer um gargarejo porque eu to meio rouco. O bom é que na quinta que vem (um dia antes da nova data para apresentações), à pedido da minha orientadora, eu vou explicar esta pesquisa pros alunos dela de hidrologia e espero que uma parte deles já desista de ir me assistir no outro dia. Brincadeira. Acho que essa aula já serve como um ensaio geral, porque já implica no tremelique frente às pessoas que, de fato, não vão entender como chuvas que caem na bacia do rio Beni, na Bolívia, vão modificar a qualidade da água do rio Madeira, em Porto Velho. Ou frente às pessoas que não vão entender que eu sou a favor da construção das usinas do Madeira, mesmo que meu trabalho discorra sobre a possível formação de bancos de sedimentos à montante dos reservatórios, uma vez que o Madeira, sozinho, é responsável pela metade de todos os sedimentos contidos na bacia Amazônica, cerca de 257 milhões de toneladas por ano em sedimentos, além de mudarem algumas características da fauna e flora do rio, podendo extinguir algumas espécies de peixes e algas fundamentais para manter o equilíbrio do ecossistema local. Desculpem, ao tratar desse assunto, meus dedos já trabalham por conta própria. Eu devo tá falando isso dormindo, porque eu sonhei duas vezes com as apresentações nos últimos três dias. O bom é que eu ainda não to nervoso. Ainda. Minha apresentação caiu no salão nobre da faculdade, bem na hora do intervalo, quando todo mundo que está em sala vai presenciar o nervosismo dos que pretendem se formar. E eu que nem tô nervoso.
Tudo bem (eu acho). Quero quebrar essa ansiedade de apresentar tanto quanto quero quebrar meu bloqueio lírico.

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