Aqui em Porto Velho o aumento explosivo populacional nos últimos dois anos já se reflete em muitos problemas. Um deles é o trânsito. A quantidade de carros nas ruas é assustadoramente maior do que há três, quatro anos atrás. E ainda se agrava com o surgimento dos mototaxistas, onde muitos não conseguem obedecer a uma lei de trânsito. Outro problema é a falta de locais para se estacionar, este já fazendo parte do meu dia a dia. Aqui no prédio do meu escritório existe um grupo de cinco flanelinhas que dominam todo o quarteirão. A saída para não pagá-los é parar no estacionamento da Catedral (R$2,00 por hora, mais caro que o dízimo que eu deveria contribuir mensalmente) ou estacionar duas quadras depois, ficando exposto ao Sol que castiga os trópicos, às chuvas que ensopam os trópicos e a criminalidade que me leva a carteira. Assim que você reduz a velocidade no quarteirão, já se ouve um grito ao longe dizendo “Iaê, meu patrão?!”. Eles já têm uma espécie de catálogo de carro e cara das pessoas que param por ali diariamente. Ou seja, se você não entrar no jogo, é bom ir se preparando pra trocar um pneu, ou ir escolhendo a nova cor do seu carro. Só eu que vejo um crime nisso? Bom, se alguém te pede dinheiro em troca de preservar sua integridade, é um assalto, não? E como um veículo é um pedaço do seu dono, então estaria eu sendo assaltado diariamente? Cidades desenvolvidas (e por isso sim chamadas de cidades) possuem guardas de trânsito pelas ruas, a fim de evitar imprudências ou qualquer outro tipo de crime cometido nas vias urbanas locais. Outras vão além, regulamentaram a profissão de flanelinha, que ganham salários por mês para fiscalizar (de fato) a segurança veicular dos contribuintes públicos. Aqui o que se ganha é um papelão no pára-brisa e um “valeu, meu chegado” como prova de eterna gratidão pelo temor que se tem a ele, uma espécie de “eu sou foda, hehehe, e ainda ganho dinheiro com isso”. Outro dia eu e um amigo estávamos saindo às 17h e um dos profissionais disse: “E ai, vai rolar um real pro seu chegado?” (repare no cartel já estabelecido, menos de R$1,00 é coisa do século passado). Rapidamente, meu amigo disse: “vou voltar aqui daqui a pouco”. Sem demorar muito, o sujeito fez uma cara de tristeza e disse: “mas é que eu já to saindo, vou pra escola”. Quase deixei um cheque caução. O trânsito hoje é uma das armas que mais mata em todo o mundo. Em Porto Velho não é diferente. A cidade vem passando por obras de água e saneamento, onde a drenagem agora passa realmente a ser drenagem, e não transporte de esgoto. Com isso, o asfalto vem sendo recortado e mal consertado, surgindo buracos, buracos com poça d'água, buracos ambulantes, buracos camuflados, buracos em família, holes e várias outras deformidades na pavimentação, gerando mais acidentes, mais lentidão, mais mototaxistas, menos retrovisores e mais stress populacional. Ao meu ver, esse tipo de ‘ameaça’ nas calçadas também faz parte do trânsito, assim como da segurança pública. Muito disso acontecendo a uma quadra da prefeitura. Vamos ver se o município cobre pelo menos a publicação do meu livro “Desculpas Para Flanelinhas e Táticas de Fuga”.
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